Impacto do Crédito ao Consumo na Economia Portuguesa

Crédito ao consumo com impacto positivo entre 300 e 573 milhões euros na economia

O crédito ao consumo tem um impacto entre 300 e 573 milhões de euros na economia portuguesa. Esta é uma das conclusões de um estudo inédito realizado pela Nova School of Business and Economics (Nova SBE). O valor apurado tem como premissa um aumento sustentado na oferta de crédito das associadas ASFAC (Associação de Instituições de Crédito Especializado). Estes valores dizem respeito ao impacto de novos empréstimos das associadas da ASFAC.

Neste cenário o impacto sobre o PIB é de 0.6% após dois anos e de 1.15% após cinco anos. Encontramos um efeito multiplicador – variação do PIB sobre a variação do crédito concedido pelas associadas da ASFAC – de aproximadamente 1 passado um ano, e de 1,5 passados dois anos. Isto é, um euro a mais de concessão de crédito das associadas da ASFAC traduz-se em aproximadamente 1 euro de aumento do PIB passado um ano, e 1 euro e 50 cêntimos passados dois anos. 

O estudo, desenvolvido pelos especialistas em Macroeconomia da instituição, sob a coordenação do Professor Doutor Pedro Brinca, analisa outros cenários que também demonstram o impacto do crédito ao consumo na economia nacional. Assim, um aumento temporário e inesperado na concessão de crédito das associadas ASFAC em 1% aumenta o PIB português em 0.05% após um ano e em 0.1% após dois anos. A título de exemplo, se a concessão de crédito das associadas da ASFAC aumentasse em 1% temporariamente no último trimestre de 2017 – o aumento tem alguma persistência, mas diminui ao longo do tempo, o PIB aumentaria em aproximadamente 40 milhões de euros após um ano, e 51 milhões de euros após dois anos. 

Ao analisar o impacto do crédito ASFAC nos componentes do PIB, verifica-se ainda que isso se verifica sobretudo através do consumo de bens duradouros e investimento. Quando o crédito ASFAC aumenta inesperadamente em 1%, o consumo de bens duradouros e investimento aumenta em 0.5% e 0.4%, respetivamente, passado dois anos.

A importância das instituições com atividade especializada na concessão de crédito aos consumidores tem vindo a aumentar desde 2013. A partir de 2015 estas instituições são responsáveis pela concessão de mais de metade deste tipo de crédito. O tipo de crédito que mais cresceu desde então foi o destinado à compra de automóvel. Sendo este um bem duradouro, refira-se neste contexto que as famílias portuguesas recorrem ao crédito sobretudo para adquirir bens que lhes aumentam o bem-estar futuro e de forma duradoura, ou seja, investimento.

Em relação ao emprego, o documento refere que o impacto de um aumento de crédito por parte das associadas ASFAC cria cerca de 5.800 postos de trabalho após dois anos, se o aumento for temporário. Já se o aumento for sustentado, a criação de emprego pode chegar aos 24.000 postos de trabalho.

O estudo conclui que a oferta do crédito ASFAC está significativamente correlacionada com a atividade económica, sobretudo através do aumento de consumo de bens duradouros, do investimento e do emprego. Ao antecipar consumo aumenta a procura por bens e serviços e, consequentemente, a produção e o emprego. À medida que mais postos de trabalho são criados, maiores são as receitas do Estado por via do aumento das contribuições sociais e dos impostos indiretos resultantes do aumento do poder de compra. A diminuição acentuada das taxas de incumprimento do crédito terá também contribuído de forma significativa para a melhoria dos níveis de atividade económica, quer ao nível do PIB quer ao nível do emprego.

Um inquérito realizado em maio de 2019 pela Nielsen para a ASFAC revelou que 92% dos clientes das instituições de crédito especializado estão satisfeitos, ou muito satisfeitos, com a escolha da instituição. Mais de 80% dos consumidores que ponderam obter crédito ao consumo no futuro estão satisfeitos com a clareza das informações prestadas pelas Instituições de Crédito Especializadas durante o processo de consulta.

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