Apresentação de estudo inédito sobre crédito ao consumo

25 Junho 2019

Foram apresentadas as principais conclusões do estudo “Impacto do Crédito ao Consumo na Economia Portuguesa”, desenvolvido por macroeconomistas da Nova SBE, um estudo independente, encomendado pela ASFAC, que apresenta dados inéditos que atestam a importância do setor para o crescimento da economia nacional.

Na abertura dos trabalhos, Menezes Rodrigues, presidente da ASFAC, ressalvou que o setor do crédito ao consumo é uma área povoada de pré-conceitos e estereótipos, onde existe falta de estudos científicos sendo que, com esta iniciativa, é possível ajudar a preencher esta lacuna.

Uma posição partilhada por Rogério do Ó, membro da Direção da ASFAC, no debate que se seguiu à apresentação dos resultados do estudo em que reforçou a importância deste tipo de estudos para a quantificação do impacto positivo que acreditavam que tinham na economia e para os vários reguladores conseguirem, de forma mais concreta, analisar o setor.

Também o Vice-Governador do Banco de Portugal, Luís Máximo dos Santos, esteve presente neste evento onde reconheceu que o crédito ao consumo tem implicações económicas e sociais, estando, por isso, "enraizado" em todas as economias desenvolvidas. Nesse sentido, o responsável diz que é "inútil diabolizá-lo", mas que é preciso regular e fiscalizar para prevenir o risco sistémico. Referiu ainda que a entrada em vigor do novo regime jurídico alargou o perímetro da supervisão, com grande impacto no domínio do crédito ao consumo.

No encerramento da sessão, o Secretário de Estado Adjunto e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix, reconheceu o impacto positivo das entidades de crédito especializado na economia portuguesa, dando oportunidades aos cidadãos, e reforçando a necessidade de continuar a monitorizar a evolução da concessão de crédito e a avaliar a eficácia das medidas adotadas ao longo do tempo para a concessão de crédito responsável, defendida pelo setor da ASFAC.

Quanto às conclusões do estudo sobre o “Impacto do Crédito ao Consumo na Economia Portuguesa”, Pedro Brinca, coordenador do estudo, reconheceu que quando iniciou este trabalho encontrou uma cultura de demonização do setor, uma realidade diferente daquela a que nos meios científicos tendem a olhar para o crédito: como uma ferramenta que tende a alargar as possibilidades das pessoas. Ressalvando que muita da aquisição dos bens de consumo é feita ao nível de bens duráveis que, muitas vezes, servem para alavancar até o crescimento das empresas, como é o caso dos automóveis.

Entre as principais conclusões destacou um setor bastante regulado que, a partir de 2013, está também sustentado na melhoria das expetativas dos agentes em relação à economia nacional. Em relação ao incumprimento referiu que a sua diminuição foi mais expressiva no crédito ao consumo associada quer a uma melhoria da atividade económica, quer ao aumento da regulação, que é hoje mais exigente do que foi no passado.

No debate que se seguiu à apresentação destes resultados foram ainda abordados vários aspetos relacionados com o setor. Fernando Alexandre, professor da Universidade do Minho, destacou que através do crédito as famílias podem chegar a alguns tipos de bens e serviços que de outra forma não conseguiriam. Opinião partilhada pelo economista António Nogueira Leite que destacou o papel do crédito ao consumo ao permitir o alisamento do nível de consumo das famílias com estabilidade.

Consulte o estudo completo aqui https://www.asfac.pt/pagina/72/impacto_do_cr%EF%BF%BDdito_ao_consumo_na_economia_portuguesa.